terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O dia que grita

obs: Esse pequeno rascunho estava salvo neste blog, arquivado em novembro de 2011, resolvi postá-lo agora.

Apenas vontade de compartilhar um pouco de forma despretensiosa.
Antes de ontem eu pensei o quanto é importante estarmos prontos para diversas situações... Sei lá, nunca foi meu caso pensar no dia em que alguém precisará de mim, pois eu sempre pensei muito apenas em mim mesma, e eu mesma sempre fui o centro das minhas maiores aflições.
Em mim mesma eu sempre sonhei, sempre quis, sempre idealizei, sempre desejei coisas bem diferentes e sempre fui objeto do meu próprio consumo...Mas hoje eu me pergunto: Será que todo o meu querer foi de fato alguma coisa que seja a minha própria identidade? Ou, será que de fato, toda a minha ânsia desde os meus caprichos infantis condizem com aquilo que de fato eu sou? Os meus desejos sou eu? Qual é o meu verdadeiro desejo?
Dentro de uma estrutura particular podemos chegar a um acordo de que as coisas são inteligíveis pois elas existem por meio de uma conexão latente, cognicíveis ou não. Por mais desprezível que possa parecer eu existo, penso, sinto por uma questão de causa, e essa causa também é supra corporal pois as minhas motivações estão obrigatoriamente interligadas a uma série de fatos que não são unicamente de minha própria autoria. Concordo que invento bastante coisa na minha cabeça, mas essas coisas que eu invento são até meio que inúteis para justificar o simples fato da minha existência, ou seja,  podemos também analisar os fatos deixando os caprichos um pouco de lado e partindo para aquilo que possamos enxergar como a verdade.
A verdade não é unicamente o que eu penso ou  o que você pensa, a verdade são as coisas por elas mesmas, assim mesmo como são em sua natureza.
Pois bem, o que eu queria dizer, é que não sou (somos) tão independente quanto pensamos ser  e isso é muito evidente através do mistério do nascimento, da morte e até nas coisinhas menores, como numa simples conversa. Daí quando paro para pensar se estou pronta para encarar diversas situações é porque, além das minhas próprias emoções, é necessário estar aberta para respeitar as emoções dos outros. Quando eu falo em respeitar não falo em admirar e nem conceber como verdade. Ora, se as minhas próprias emoções não podem ser o centro da minha vida, e nem a minha verdade,  imagine só aceitar isso dos outros...Quando falo em respeitar falo em possuir disposição pelo outro. Não estou dizendo que seja fácil, apenas idealizo que o outro também possa ser pupila para os meus olhos e que eu, quem sabe, possa ser pupila para os olhos de alguém. Quem sabe assim o auto-conhecimento genérico, sob novos prismas, chegasse a um ponto mais motivador.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

James Scalefield



- Soy un hombre herido por el dolor de mi corazón de melón/Oh niña de las flores!/No sé lo que quiero decir/Yo soy un mentiroso!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

STOP!

half of me! half of me!

everything to me, greediness...because I'm nothing
but one day I'll be what I'm...
I'm waiting patiently
to be what i'm!

and the death will smile when whisper my name...

thanks to life you are the man
show me to eternity!






terça-feira, 27 de setembro de 2011

говоря Россия

Ontem fui ao supermercado. Estava desconfiada por observar. Mal podia olhar para os lados, e ao olhar sentia que qualquer situação onde eu pudesse ser observada ou encontrada também poderia arrebatar-me. Não sei por que, mas sair do caixa para pegar o polenghinho a uns 2 metros de distância na prateleira custou-me.
Depois do percurso voltei as costas para a prateleira com a fronte situada para o caminho de volta e simplesmente, sem nenhuma explicação, o supermercado não era mais o mesmo e o caixa era um grande balcão de madeira. No começo dele havia um orifício onde o cliente colocava suas compras já ensacoladas  e lá dentro da madeira havia uma balança e uma esteira manual encarregada de entregar as compras a um velho homem que calculava cada centavo em seu caixa antigo e rodava uma espécie de manivela para que as compras chegassem até ele. Tudo me parecia muito novo.
O velhinho estava dormindo no caixa. Eu mal podia vê-lo, mas dava para observar sua cabeça grisalha escorada sobre a tábua. “Não quero acordá-lo”, pensei.  Até que um homem qualquer que circulava por ali falou que era para eu colocar as compras no buraco e o velho automaticamente acordaria, dito e feito.
Lá se foram minhas compras e meu destino terminava por ali. Porém, muito antes disso acontecer, eu passeava de mãos dadas entre as prateleiras com alguém pronto a querer ficar comigo, seguia com um óculos de sol que cobria boa parte do meu rosto, mas lá pela sessão de jardinagem percebi que não queria nada daquilo e as promessas  dissolveram-se, ainda bem que em um supermercado e não diante de um altar. Então jurei : “Pode ir, serei fiel, mas deixe-me só...”. Não era mais o silêncio da dúvida e nem da dor, era um nevoeiro que me protegia ao circular onde quer que eu fosse, e caso essa promessa fosse desfeita eu estaria entregue às baratas. O nevoeiro revelou-se o meu escudo.  E eu tinha muita certeza de tudo aquilo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Durante o caminho para casa, por algum motivo, tive que parar em um açougue sombrio. Faltava luz, a parede era suja e possuía buracos onde dava para avistar o terreno baldio ao lado. O açougueiro gordo com as facas enormes colocou um grande frango em uma chapa por 5 minutos e pronto, já estava no ponto para comer.

Eu estranho aquilo tudo, e vejo enormes pedaços crus serem engolidos, até que o absurdo toca mais alto, e sai um bebê recém nascido daquela pocilga para comer também o seu pedaço de frango cru, eu que só observava e contracenava com caras e bocas, pude nesse momento fazer uma breve intervenção e não me agüentei ao dizer: “Ei, mas esse frango está cru... e além do mais é enorme! Essa criança pode não suportar!”. Eis que era verdade, pois a pequena nem dentes tinha. Mas ufa, o açougueiro avaliou e recomendou que a levassem de volta para o quarto, finalmente eu tinha razão...

Fui acompanhar a mucama levar o bebê de volta e entro em um quarto bem mais limpo, silencioso, agradável... Vejo o bebê ser ninado e não entendo como ele pode resistir com tanta ternura a um mentor daquela espécie... Mas a conversa com a babá não me levava a lugar algum, ela estava muito concentrada com o trabalho, e finalmente chego a algum lugar: a rua.
É, acabei lembrando que tinha que passar na residência de alguém, não sei nem para quê... Eu apenas queria ver alguém, mas ao chegar o dono da casa estava tão entretido com ele mesmo que não lembro de receber nem um “oi”, mas tudo bem, fui observar o ambiente e me deparei com um corredor cheeeeeio de álbuns de figurinhas, aquilo era meu sonho, ou era um sonho mesmo ou eu estava realizando, mas calma, os álbuns não eram meus! Meus olhos não desgrudavam daquilo, estavam lá meus personagens preferidos (levando em consideração que esses personagens me afeiçoaram na infância pela própria estética, eram como bonecos parados que não precisavam dizer nada, pois a expressão já era tudo!) eu olhava, com um olhar de sete anos de idade, e queria vários daqueles álbuns e figurinhas para eu passar o resto dos dias olhando, mas não eram meus, snif, snif. Até que o nobre proprietário me faz a doação de um álbum promocional cujas folhas eram daquelas bem pebas recicladas e o personagem era o que menos chamava minha atenção, hunf, amufinei! Lembrei no mesmo momento do sentimento de deixar as crianças em lojas de brinquedos saírem de mãos vazias, ou então com a peça que elas menos gostariam de ter, isso é tão insatisfatório.
Pois bem, fiquei com uma vontade imensa de sugerir que ele me desse outro álbum, mas ele não tava muito interessado nisso, nem mesmo em saber das minhas preferências ou nem se quer pôde perceber o meu deslumbre diante daquilo que era meu sonho.

“Frustação!!!” era só o que eu conseguia pensar... E o camarada lá, passeando de trás para frente e de frente para trás entre as suas centenas de álbuns até repetidos, que crime!

Acabei desistindo de assistir aquilo tudo, mas o grito do desespero não cessou tão fácil dentro de mim, fiquei pela casa, fui ter com os pais do rapaz que tentaram ser mais gentis do que ele, acabei me afeiçoando e isso rendou horas a mais naquele lugar... O pai do garoto falava diante do espelho, mas só vez ou outra ele soltava palavras mágicas que davam abertura para eu perguntar alguma coisa, e ele com os olhos fixos no objeto que refletia a própria imagem me respondia tudo bem direitinho, mas bastava desviar os olhos que nem mesmo os seus ouvidos funcionavam mais nem para a direita e nem para a esquerda e ele amufinava também, mas é claro que se tratava de uma figura amável, passei a gostar dele, mesmo quando de grande mago passava a ser pequeno robô.
E o camarada lá, olhando seus álbuns, e às vezes fazendo outras coisas que não cabia mais ninguém, tudo bem, eu tinha uma casa toda a explorar, seu boboca.
Explorei o quintal, os quartos, a sala, os banheiros... Tudo e todos os objetos. Mas cansei e quando vi, haviam outras pessoas cansadas na fila do banheiro, ou era apenas minha vista que via tudo morgado mesmo.
Eu já estava cansada com a cabeça escorada na parede, sem nem conseguir pensar no próximo passo, a não ser nas minhas necessidades fisiológicas e puf, encontro dois amigos divertidos na mesma fila que eu.
Ah, eles foram tão gentis, amáveis, sei lá, eles falaram comigo olhando para mim, que grande feito! Isso foi tão importante que eu pude me sentir eu de novo, eles lembraram mais de mim do que eu mesma estava lembrando, falaram das minhas coisas de quando a gente brincava na rua, de como aquele tempo foi bom, etc etc. Eu lembrei de mim, uepa.
Até a vontade de ir ao banheiro passou, a vontade de possuir o álbum de figurinhas também, eu não lembrei nem mais deles, só lembrei depois quando já estava com o pé na estrada novamente e me dei conta que já era.

Pé na estrada, sei lá para onde eu tava indo, mas eu sentia muita certeza de tudo aquilo... Talvez, apenas de volta para casa!

Ah, desculpe qualquer erro, qualquer coisa, escrevi esse texto numa teclada só, até! ;)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ouro de besouro


Sentado numa poltrona de ouro ornamentada em tesouro
Basta-me o silêncio para que o meu fiel escudeiro atentamente ouse tentar persuadir-me de que o engano apoderou-se do meu reino, só por que antes em pó e lata um dia fora feio
Uma honra à dor, à antiga tábua de lata que guardava todos os pedaços juntos e milhões de anos-almas depois pôde se transfigurar em diamante
- Custa, escudeiro, respeitar o meu tempo, a minha transfiguração e agora felizmente o meu silêncio?

O reino manda avisar aos súditos que às 17:49 horas do dia 7/07/2011 (multiplicado por 2, e seguindo a ordem por dois anos) abrir a boca de forma desproporcional ao código de conduta 264 (que diz: respeite seu próximo mesmo que você ou seu parente de estimação tenham a incerteza de que seu próximo não é mais digno de viver no mesmo reino que vocês ou possui mais tesouros) será causa de pena de morte e, por tanto, façam um minuto de silêncio pelas vidas dos companheiros pois todos eles são muito amados pelo rei.

Att. a guarda.

Shhhhut up!

terça-feira, 5 de abril de 2011

"Is but a dream within a dream"

wake up wake up